




Com uma história instigante e envolvente que nos leva a questionar e divisar de muito perto todos os horrores físicos e psicológicos da Guerra no Kosovo (Bálcãs), Um Tiro no Coração apresenta uma análise profunda do complexo relacionamento entre um homem angustiado pelos horrores de uma Guerra covarde e uma mulher sensível, forte e determinada, ambos lutando para encontrar um novo rumo para suas vidas e tentando se livrar das amarras do passado que ainda os aprisionam, enquanto lutam a todo custo por justiça para que o massacre feito não fique na impunidade.
Sergei é um homem sofrido e confuso, vagando pelas ruínas de uma cidade devastada pela Guerra em busca de justiça depois de ter perdido toda a sua família, até que por uma artimanha do destino, se encontra com a mulher que irá mudar sua vida completamente.
Ao mesmo tempo neste triângulo amoroso, Mikhail, um grande e cruel ditador, está disposto a tudo para conseguir o seu intento de limpeza étnica e não perder o amor de Natasha, mesmo que para isso tenha que passar por cima de valores morais e de seus deveres como governante de um país.
Comentários da autora
Um Tiro no Coração nada mais é do que um grito de alerta, um pedido de socorro, para que ninguém jamais possa esquecer das centenas de pessoas que foram massacradas, e ainda o são, indiretamente, por aquela Guerra de Covardes...
A História se mescla à fantasia, o psicológico dos personagens à vida real dos sobreviventes, sendo um livro extremamente revelador sobre o que realmente aconteceu nos Bálcãs e ficou velado para maioria das pessoas de outros países.
Outros comentários
- Durante toda a trama, a Guerra do Kosovo é lançada de uma forma clara e gritante, inserindo no texto fatos históricos de grande relevância para podermos descortinar todos os horrores e crueldades. O enfoque da limpeza étnica é colocado abertamente, mas de uma maneira tal que através do romance dos três personagens principais, cria-se uma atmosfera informativa dos fatos reais ocorridos.
( R. Antunes Brito, escritor, São Paulo - 10 agosto, 2006 )
- Parabéns por tornar um sonho real, por transformar vidas a partir da leitura de sua obra. Acaba de nascer uma escritora de talento em nosso país.
( ARTUR RODRIGUES - Escritor e Editor da Kroart e Litteris - RJ - 10 maio, 2006 )
- Romance Histórico que mostra a realidade de uma época tenebrosa na Guerra do Kosovo, ex-Iugoslávia, ao mesmo tempo em que constrói um romance grandioso. Lembrando os gigantes da literatura Russa do século passado, descreve a alma dos seus personagens por inteiro.
( SITE TERESOPOLISON - Seção de Livros Indicados - 18 maio, 2006 )
- ... lançamento de um belo livro, em dois volumes, da escritora Claire Leron, “Um Tiro no Coração”, Litteris Editora. Desde o início o romance tem me agradado muito, seja pelo seu enfoque atual, o terror vivido pelos cidadãos do Kosovo, seja pela gramática atraente e correta.
( ISIS MULLER - Escritora e Colunista do Teresópolis Jornal - 14 maio, 2006 )
- Li todo o primeiro capítulo e comecei a me envolver pela história. Acredito que será do agrado geral. Você escreve bem, com detalhes, descrição ideal do ambiente, demonstrando um dedicado trabalho de pesquisa.
( I. Rocha - Teresópolis - RJ - 10 maio, 2006 )
- Meus elogios para sua grande obra. Muito bem escrito. A narrativa prende a atenção e cria expectativas no leitor. Parabéns! Aguardo ansioso o próximo.
( Irapitam - Teresópolis - RJ - 28 setembro, 2006 )
- “... sustenta uma história emocionante onde seus personagens carregam grande densidade psicológica. A autora consegue ainda mesclar em sua narrativa, passagens de extrema poesia que encantam o leitor, mostrando-se senhora de uma linguagem que prende a atenção da primeira a última página, sem jamais perder o fôlego.
A intensidade da narrativa e o poder afetivo dos personagens impressionam, revelando precisão e beleza, dignas de uma obra inesquecível. Existe o compromisso claro com a busca do maior significado sem qualquer simplificação apressada.
O livro surpreende, cresce, se impõe.
Criadora de um estilo vivo e preciso, por vezes, duro e contundente, mescla a realidade à fantasia, o tornando um livro real, palpável, e quase pode se materializar em nossas mãos.
Claire Leron, que é psicóloga, especialista em comportamento humano, quando aos 39 anos escreveu seu primeiro livro: “Um Tiro no Coração”, nos mostrou que o nosso modo de ver o amor e a Guerra nunca mais serão os mesmos.
( LUIS BARTRÊ - Escritor e Historiador - Resenha do Site Amigos do Livro - São Paulo - 13 junho, 2006 )
- Nunca li um livro como o seu. Apesar de ser grande, desde o primeiro capítulo a leitura prende a gente e não se quer mais largar até o fim. Parabéns, ele é ótimo!
( Giselie, Rio de Janeiro - 24 julho, 2006 )
- Não gosto de ler, ganhei o seu livro e por curiosidade folhei algumas páginas e pronto. Estou lendo até agora. É bom mesmo...
( Maria, São Lourenço - MG - 4 outubro, 2006 )
- Muito bom o Livro. A riqueza de detalhes é muito grande. Parece que estamos no Kosovo, vivendo a Guerra. Quando saia o próximo?
( Mario, Rio de Janeiro - Julho, 2006 )
- Impressionante como você consegue escrever assim. É maravilhoso. Não conseguia parar de ler, entrava pela madrugada adentro. Você está de parabéns!
( William, Rio de Janeiro - Junho, 2006 )
- Chorei muito com o seu Livro. É tão real, dá até para sentir a agonia dos personagens. Puxa, que beleza!
( Daniele, Teresópolis - RJ - Junho, 2006 )
- O livro é muito bom, prende a gente. Não se quer largar até ver o final. Muito bom, mesmo. Fiquei impressionado de ver o primeiro livro de uma escritora ser assim tão complexo e tão bem escrito.
( Joel B., Rio de Janeiro - Outubro, 2006 )
- Gostei muito mesmo. Nunca tinha lido um livro tão grande e bom. Agora, depois do seu livro, passei a ter a vontade de ler mais sobre a história do mundo. Quando sai o próximo? Estou esperando para ler esse também.
( Francisco G. - Teresópolis - Outubro, 06)
Frases
“Parece que a Guerra nos tira tudo, tudo mesmo, até nossos sentimentos. Vejo, seres humanos, personagens sem fama, mas com rosto, com suas identidades dilaceradas e suas vidas desgraçadas.”
“Ninguém pode deter a chuva, impedindo-a de cair, ninguém pode prender o vento nas mãos, nem guardar a água do mar entre os dedos, também não se pode apagar o fogo com um olhar, então, nem a morte pode e consegue acabar com um grande amor...”
Trecho do 1° Capítulo - Vol. 1
Um antigo prédio de estilo sóbrio e aristocrático com três grandes cúpulas e várias janelas, erguia-se imponente com suas paredes cor de rosa esmaecido no fim da rua, quando um carro preto luxuoso foi lentamente se aproximando da fachada até parar. O primeiro a descer foi o motorista que rapidamente contornou o carro para abrir a porta de trás, de onde surgiu um homem de uns cinqüenta e poucos anos, alto, moreno, meio calvo e com uma aparência tão imponente que chamava a atenção dos passantes. Seu rosto tinha traços duros, escondidos atrás de um extenso bigode grisalho que lhe dava uma característica marcante. Vestia um terno azul marinho de corte italiano perfeito e usava sapatos pretos de couro, em contraponto com a camisa imaculadamente branca, fazendo-o parecer uma miragem.
O homem voltou-se gentilmente com a mão estendida para dentro do carro e surgiu do mesmo banco uma mulher, aparentando um pouco menos de quarenta anos... e seus olhos também castanhos, encontraram docemente os frios olhos negros dele.
No hall, a exuberância dos detalhes entalhados na parede se fazia notar e a grandeza do ambiente era impressionante. Estava sendo feita uma grande reforma, por isso o desalinho das peças e andaimes espalhados pelos cantos.
A mulher se separou dos demais, apreciando cada detalhe descoberto daquele imenso salão...
encostou-se a um andaime com poeira e sujou o seu tailleur. Observando a porta à frente, achou ser o toalete e a abriu.
Quando entrou, viu ao fundo do aposento um homem encostado na janela e acuado como um animal. Foi tomada por um assombro e deparou-se com aqueles olhos azuis penetrantes a observá-la, parecendo um céu de tempestade.
Ficou paralisada, procurando entender a razão de estar tão ansiosa e assustada. Quem seria aquele homem que também se assustou com a sua presença?
Nada foi dito. Apenas um olhar de súplica para não ser denunciado que prendeu o seu de uma forma avassaladora e extremamente forte, como ela nunca havia sentido nada igual.
Quase no mesmo instante, entraram pela porta cinco homens, vestidos impecavelmente de ternos e com pistolas nas mãos, com tanta truculência que o som da porta ao bater na parede, ecoou por todo o ambiente assustadoramente.
- Há alguém aqui, senhora? A senhora está bem?
Perguntou um dos homens apontando a arma de forma ameaçadora enquanto percorria e abria estupidamente com o pé todas as portas internas.
- Estão loucos? Claro que estou sozinha. Saiam agora mesmo. Vocês estão me incomodando.
Enquanto falava, seus olhos não conseguiam se desprender do olhar firme e penetrante daquele homem que ainda não podia ser visto pelos seguranças por estar dentro de um dos banheiros e só ela tinha o ângulo de visão.
- Saiam já! - insistiu.
Um dos seguranças estava a ponto de abrir a porta que dava acesso onde se encontrava o homem. Da forma decisiva como ela falou, recuou meio aturdido com a firmeza de suas palavras. Sem alternativa, saíram contrariados e a porta se fechou atrás deles com estrondo.
No mesmo instante, ela ouviu a voz de Mikhail, apreensivo na porta.
Está tudo bem com você, querida? Estou entrando.
Não há necessidade. Eu estou bem, já vou sair. - apressou-se em dizer, temendo que ele entrasse.
O homem era alto, forte, e sua pele clara combinava perfeitamente com seus cabelos lisos e louros, caídos em desalinho na altura das orelhas. Aqueles olhos que a prenderam como uma teia, agora estavam menos tensos e de alguma forma agradecidos. E ele que estava perto da janela quando ela o encontrou, virou-se rapidamente e saltou, só podendo ser visto seu casaco preto comprido, elevar-se.
Enquanto ela pensava sem compreender bem o que a tinha impressionado tanto naquele homem, apressou-se em sair logo, antes que alguém suspeitasse de alguma coisa.